| AURICULOTERAPIA | Técnica terapêutica que estimula pontos reflexos específicos da orelha — com sementes, esferas ou agulhas — para atuar sobre dor, ansiedade, insônia e outros desequilíbrios do corpo, com base na teoria de que a orelha representa um mapa somatotópico do organismo inteiro. |
|---|---|
| Não é acupuntura corporal, não é diagnóstico médico e não substitui tratamento convencional. Apoia-se em 3 pilares: a Medicina Tradicional Chinesa, a sistematização científica do neurologista francês Paul Nogier e a aplicação prática com sementes, esferas metálicas ou agulhas semipermanentes. |
O que é auriculoterapia, afinal? É uma técnica terapêutica que usa a orelha como um painel de comando do corpo inteiro. Pequenos estímulos aplicados em pontos específicos do pavilhão auricular — com sementes, esferas metálicas ou agulhas finíssimas — buscam provocar respostas em regiões distantes do organismo, do sistema nervoso aos órgãos internos. Ela nasce do encontro entre duas tradições: a acupuntura auricular milenar da Medicina Tradicional Chinesa e a sistematização científica feita na França, em meados do século XX, que deu à técnica o mapa e a lógica que ela usa até hoje.
Você vai encontrar essa prática cada vez mais presente em consultórios de terapia integrativa, clínicas de estética, unidades do SUS e até em ambientes corporativos preocupados com o estresse da equipe. Ela serve para apoiar o controle da dor, aliviar ansiedade, melhorar a qualidade do sono e dar suporte a processos de mudança de hábito, como parar de fumar. Quem procura a auriculoterapia geralmente já tentou outros caminhos e busca uma abordagem menos invasiva do que remédios ou intervenções mais agressivas — sempre como complemento, nunca como substituto do acompanhamento médico.
Neste guia completo você vai entender a origem histórica da técnica, como ela funciona no corpo, o mapa dos principais pontos da orelha, os materiais usados na aplicação, os tipos e modalidades disponíveis, as indicações reais, os benefícios documentados e o que a ciência efetivamente já comprovou — e o que ainda é promessa exagerada. Também vai encontrar como funciona uma sessão na prática, quantas sessões costumam ser necessárias e como essa técnica se conecta a outras práticas holísticas. Se você sente que quer ir além da teoria e aprender a aplicar essa técnica com segurança, o curso de auriculoterapia completo foi desenhado para levar você do zero até a prática clínica supervisionada.
O Que É Auriculoterapia e Como Ela Surgiu?
O que é auriculoterapia começa a fazer sentido quando você entende que ela não nasceu de uma vez só — é o resultado de duas histórias que se cruzaram em momentos diferentes. De um lado, uma tradição chinesa antiga que já reconhecia pontos reflexos na orelha. Do outro, um médico francês que, no século XX, transformou observações dispersas em um mapa sistemático e testável. Entender essas duas origens é o primeiro passo para compreender por que a técnica funciona do jeito que funciona hoje.
A auriculoterapia como você encontra atualmente é, na prática, uma fusão dessas duas linhagens — a base energética chinesa somada à cartografia neurológica ocidental. Essa combinação é o que permite que terapeutas formados em diferentes tradições cheguem a resultados parecidos, mesmo partindo de lógicas teóricas distintas. As três subseções a seguir detalham cada etapa dessa formação histórica, da raiz milenar chinesa até a configuração que a técnica assume hoje em consultórios e clínicas.
Raízes na Medicina Tradicional Chinesa — a acupuntura auricular milenar
A ideia de tratar o corpo por meio de pontos na orelha não é recente: registros da Medicina Tradicional Chinesa já mencionavam a orelha como uma região conectada aos órgãos internos e aos meridianos de energia que percorrem o corpo inteiro. Essa visão fazia parte de um sistema mais amplo, no qual diferentes áreas do corpo funcionavam como microssistemas capazes de refletir o todo.
Nessa tradição milenar, a orelha era tratada como um ponto de acesso privilegiado ao equilíbrio energético geral — o Qi, energia vital segundo a MTC, também circularia por ali. Essa base filosófica é o que sustenta, até hoje, boa parte da linguagem usada por terapeutas orientais que praticam a acupuntura auricular clássica, distinta da abordagem mais anatômica desenvolvida depois no Ocidente.
A sistematização científica de Paul Nogier e o mapa do homúnculo invertido
O marco que transformou a auriculoterapia na técnica estruturada que se pratica hoje aconteceu na França, na década de 1950. Paul Nogier, neurologista e médico francês de Lyon (1908–1996), notou que vários pacientes com dor ciática apresentavam uma pequena cicatriz de cauterização na anti-hélice da orelha — resultado de um tratamento popular feito por uma curandeira local. A partir dessa observação clínica, ele começou a investigar sistematicamente a relação entre pontos da orelha e alívio de dor em outras regiões do corpo.
Em 1957, Nogier apresentou formalmente sua teoria do mapa somatotópico da orelha: a ideia de que o pavilhão auricular corresponde a um feto invertido — o chamado “homúnculo invertido”. Nessa lógica, o lóbulo representa a cabeça e a face, a anti-hélice representa a coluna vertebral, e as áreas mais internas da concha correspondem às vísceras torácicas e abdominais. Foi esse trabalho de sistematização que deu à auriculoterapia um mapa reprodutível, testável e ensinável — muito diferente da tradição oral chinesa que a precedeu.
Auriculoterapia hoje — a fusão das duas tradições
A auriculoterapia praticada atualmente não escolheu um lado dessa história — ela absorveu as duas. Terapeutas usam a base filosófica da Medicina Tradicional Chinesa (meridianos, energia vital, diagnóstico energético) junto com o mapa anatômico detalhado que Nogier e seus seguidores desenvolveram ao longo das décadas seguintes.
Esse processo de fusão ganhou um marco institucional importante em novembro de 1990, quando um grupo de trabalho reunido pela Organização Mundial da Saúde, em Lyon, padronizou a nomenclatura internacional de 43 pontos auriculares, cada um identificado por letras e números precedidos da sigla “MA” (de Microsystem Auricular). Esse esforço de padronização é um dos motivos pelos quais um terapeuta formado no Brasil consegue se comunicar, hoje, com a mesma linguagem técnica usada por colegas em outros países.
Auriculoterapia É a Mesma Coisa Que Acupuntura Auricular?
Não exatamente — auriculoterapia e acupuntura auricular são termos que se sobrepõem, mas não são sinônimos perfeitos. Acupuntura auricular costuma se referir especificamente ao uso de agulhas nos pontos da orelha, dentro da tradição da Medicina Tradicional Chinesa. Auriculoterapia é um termo mais amplo, que engloba qualquer forma de estímulo desses pontos — agulhas, sementes, esferas ou até corrente elétrica — e costuma estar mais associada à sistematização de Nogier.
Essa distinção parece sutil, mas importa na prática: ela define quem pode aplicar a técnica, que formação é exigida e até que tipo de material é usado na sessão. A tabela abaixo resume as principais diferenças e semelhanças entre as duas abordagens, para você não confundir uma coisa com a outra na hora de escolher um profissional ou um curso.
| Aspecto | Acupuntura Auricular | Auriculoterapia |
|---|---|---|
| Origem | Medicina Tradicional Chinesa | Fusão MTC + sistematização de Paul Nogier |
| Material principal | Agulhas de acupuntura | Sementes, esferas, agulhas ou eletroestimulação |
| Base teórica | Meridianos e energia vital (Qi) | Mapa somatotópico + meridianos |
| Formação típica no Brasil | Acupunturista com formação em saúde | Terapeuta holístico ou profissional de saúde capacitado |
Semelhanças técnicas entre as duas práticas
As duas abordagens compartilham o ponto de partida: ambas partem do princípio de que a orelha concentra pontos reflexos capazes de influenciar o restante do corpo. Os mapas de pontos usados por acupunturistas e por terapeutas de auriculoterapia costumam se sobrepor em boa parte das localizações, especialmente nos pontos mais consolidados, como o Shen Men.
Outra semelhança importante é o objetivo terapêutico: dor, ansiedade, insônia e apoio a mudanças de hábito aparecem como indicações em ambas as práticas, ainda que com ênfases um pouco diferentes conforme a linha de formação do profissional.
Diferenças de origem, formação profissional e abordagem
A principal diferença está na formação exigida e no contexto de atuação. A acupuntura auricular, quando praticada com agulhas de forma isolada, tende a exigir formação mais próxima da acupuntura tradicional — muitas vezes por profissionais de saúde com especialização reconhecida.
Já a auriculoterapia, por trabalhar também com sementes e esferas — métodos não invasivos —, é ensinada com mais frequência em cursos de terapias holísticas e integrativas, sem exigir formação prévia em saúde para as modalidades sem perfuração. Isso amplia o alcance de quem pode aprender a técnica, desde que respeite os limites de atuação de cada modalidade.
Como Funciona a Auriculoterapia no Organismo?
A auriculoterapia funciona a partir de um princípio simples: estimular pontos específicos da orelha para provocar uma resposta em outras partes do corpo, seja por via nervosa, seja por via energética, dependendo da linha teórica adotada. O estímulo pode ser mecânico (pressão de uma semente ou esfera), físico (inserção de uma agulha) ou elétrico (eletroestimulação), e cada um desses mecanismos ativa uma cadeia de respostas diferente no organismo.
Entender como a auriculoterapia funciona exige olhar para três camadas complementares: o próprio estímulo físico no ponto da orelha, a resposta do sistema nervoso central a esse estímulo, e a lógica do mapa somatotópico que orienta onde aplicar cada intervenção. As três subseções seguintes tratam de cada uma dessas camadas separadamente.
Estímulo dos pontos reflexos da orelha
O primeiro elo da cadeia é o próprio ponto reflexo. A orelha é uma região extremamente rica em terminações nervosas, recebendo ramos de diferentes nervos cranianos e espinhais, o que explica por que um estímulo tão localizado consegue gerar efeitos em áreas aparentemente distantes do corpo.
Quando uma semente, esfera ou agulha é posicionada sobre um ponto específico, o objetivo é ativar essa rede nervosa densa e, a partir dela, disparar uma resposta reflexa que reverbera na região do corpo associada àquele ponto no mapa auricular.
Ação no sistema nervoso central e liberação de neurotransmissores
A explicação neurofisiológica mais aceita para o efeito da auriculoterapia passa pelo sistema nervoso central. O estímulo captado pelas terminações nervosas da orelha é conduzido até estruturas cerebrais, onde pode influenciar a liberação de neurotransmissores relacionados ao alívio da dor e à sensação de bem-estar, como as endorfinas.
Esse mecanismo ajuda a explicar por que a técnica é frequentemente associada a efeitos de relaxamento e redução da percepção de dor logo após a aplicação — o corpo responde ao estímulo periférico com uma modulação química que reverbera no sistema nervoso como um todo.
A teoria do mapa somatotópico explicada de forma simples
De forma simples, a teoria do mapa somatotópico diz que cada região da orelha “espelha” uma parte específica do corpo, como se a orelha fosse um controle remoto em miniatura do organismo inteiro. Esse é o conceito que Paul Nogier sistematizou com a imagem do homúnculo invertido, associando o lóbulo à cabeça, a anti-hélice à coluna e as regiões mais internas às vísceras.
Na prática, isso significa que, ao identificar dor ou desconforto em determinada parte do corpo, o terapeuta consulta o mapa para localizar o ponto correspondente na orelha e aplicar o estímulo ali — a lógica central que orienta praticamente toda sessão de auriculoterapia.
Mapa da Orelha: Quais São os Principais Pontos da Auriculoterapia?
O mapa da auriculoterapia organiza a orelha em zonas específicas, cada uma associada a uma região ou função do corpo, seguindo a lógica do homúnculo invertido de Nogier combinada à nomenclatura padronizada pela Organização Mundial da Saúde em 1990. Conhecer os principais pontos da auriculoterapia é essencial tanto para quem estuda a técnica quanto para quem só quer entender, como paciente, o que o terapeuta está fazendo durante a sessão.
Esse mapa não é decorado ponto a ponto de forma isolada — ele é estudado por regiões, já que pontos vizinhos costumam ter função relacionada. A tabela a seguir apresenta alguns dos pontos mais usados na prática clínica, servindo de referência inicial antes do detalhamento nas subseções seguintes.
| Ponto | Localização aproximada | Indicação típica |
|---|---|---|
| Shen Men | Fossa triangular superior | Ansiedade, estresse, relaxamento geral |
| Ponto do Estômago | Raiz da hélice, próximo à concha | Apoio a compulsão alimentar e digestão |
| Ponto do Pulmão | Concha central | Apoio a tabagismo e questões respiratórias |
| Ponto Zero | Início da hélice | Reequilíbrio energético geral |
| Rim | Concha inferior | Apoio energético (função ligada ao medo, na MTC) |
Pontos da região craniana e do sistema nervoso
A parte superior da orelha — lóbulo e antitrago — concentra os pontos associados à cabeça, à face e ao sistema nervoso central, seguindo diretamente a lógica do homúnculo invertido: como o lóbulo corresponde à cabeça, é ali que se localizam pontos ligados a enxaqueca, dor de dente e questões relacionadas ao cérebro.
Já o antitrago, pequena elevação próxima ao lóbulo, reúne pontos frequentemente associados ao sistema nervoso e a estados emocionais, sendo uma das regiões mais consultadas em protocolos voltados para ansiedade e insônia.
Pontos ligados a órgãos internos (Shen Men, estômago, pulmão)
A concha da orelha — a parte mais côncava e central — concentra os pontos ligados aos órgãos internos, seguindo a lógica de que as vísceras torácicas e abdominais correspondem às regiões mais profundas do pavilhão auricular. É ali que se localizam pontos como o do pulmão e o do estômago.
O Shen Men, um dos pontos mais conhecidos e utilizados em todo o mundo, fica na fossa triangular, na parte superior da orelha, e é associado ao relaxamento geral e ao alívio da ansiedade — tornou-se praticamente um símbolo da auriculoterapia justamente por essa aplicação ampla.
Como interpretar o mapa auricular com segurança — sem autodiagnóstico
Interpretar o mapa auricular com segurança significa entender que ele é uma ferramenta de trabalho para um profissional treinado — não um guia de autodiagnóstico ou automedicação. Aplicar pressão em pontos aleatórios da orelha, sem formação e sem avaliação prévia, pode simplesmente não gerar efeito nenhum, ou mascarar sintomas que precisariam de atenção médica.
O mapa também não deve ser usado para “diagnosticar” doenças a partir da sensibilidade de um ponto específico — sensibilidade em uma região da orelha pode ter várias causas, e não substitui exame clínico. A leitura responsável do mapa é sempre acompanhada de anamnese e avaliação profissional, temas que este guia retoma mais adiante.

Quais Materiais São Usados na Auriculoterapia?
Os materiais usados na auriculoterapia variam conforme o grau de invasividade da técnica escolhida — das sementes de aplicação superficial até as agulhas semipermanentes, passando pelas esferas metálicas. Cada material tem uma finalidade específica e um tempo de permanência diferente sobre o ponto estimulado, o que impacta diretamente na frequência de retorno às sessões.
Escolher o material certo não é uma questão de preferência estética, mas de adequação ao objetivo terapêutico e ao perfil do paciente. As subseções a seguir detalham cada tipo de material e fecham com os critérios que orientam essa escolha na prática clínica.
| Material | Tipo de estímulo | Tempo de permanência típico |
|---|---|---|
| Sementes de mostarda / vaccaria | Pressão superficial | 3 a 7 dias |
| Esferas metálicas (ouro, prata, aço) | Pressão superficial | 3 a 7 dias |
| Agulhas semipermanentes | Perfuração leve e fixa | Até 5 dias |
| Agulha de acupuntura convencional | Perfuração pontual | Minutos (sessão única) |
Sementes de mostarda e vaccaria
As sementes de mostarda e de vaccaria estão entre os materiais mais populares da auriculoterapia justamente por serem não invasivas: fixadas com um pequeno adesivo, elas exercem pressão contínua sobre o ponto escolhido, sem perfurar a pele.
Esse formato é frequentemente indicado para o primeiro contato do paciente com a técnica, já que permite ao próprio paciente pressionar o ponto ao longo do dia entre uma sessão e outra, reforçando o estímulo inicial aplicado pelo terapeuta.
Esferas metálicas — ouro, prata e aço inoxidável
As esferas metálicas funcionam de forma parecida com as sementes, mas com um material diferente: pequenas bolinhas de ouro, prata ou aço inoxidável, também fixadas com adesivo hipoalergênico sobre o ponto reflexo.
Alguns terapeutas escolhem o metal da esfera de acordo com o objetivo do tratamento, seguindo tradições energéticas específicas — ouro associado a estímulos mais tonificantes, prata a efeitos mais sedativos —, embora essa distinção seja mais uma questão de tradição terapêutica do que de evidência clínica estabelecida.
Agulhas semipermanentes
As agulhas semipermanentes são pequenas agulhas metálicas fixadas na pele por alguns dias, permitindo um estímulo contínuo mais próximo do trabalho feito com as sementes, mas com penetração real da pele — por isso, exigem cuidado redobrado com assepsia e descarte adequado.
Esse tipo de material costuma ser reservado a terapeutas com formação específica para procedimentos com perfuração, já que envolve maior risco de reação local se não for aplicado com técnica correta.
Como o profissional escolhe o material certo para cada objetivo
A escolha do material leva em conta o objetivo da sessão, o perfil do paciente e o nível de sensibilidade da pele. Pacientes com pele muito sensível, crianças ou pessoas com histórico de reações alérgicas a metais costumam ser direcionados para as sementes, por serem a opção menos reativa.
Já quando o objetivo é um estímulo mais intenso e contínuo — por exemplo, em protocolos voltados a compulsão alimentar ou tabagismo — o terapeuta pode optar por agulhas semipermanentes, sempre avaliando previamente se não há contraindicação para esse tipo de material.
Quais São os Tipos e Modalidades de Auriculoterapia?
A auriculoterapia se divide em três modalidades principais, que variam conforme o tipo de estímulo aplicado sobre o ponto da orelha: a auriculoacupuntura com agulhas, a auriculoterapia com sementes e esferas sem perfuração, e a eletroauriculoterapia, que usa corrente elétrica de baixa intensidade. Cada modalidade tem indicações, formação exigida e nível de invasividade diferentes.
Conhecer essas modalidades ajuda você a entender o que esperar de uma sessão antes mesmo de agendar a primeira consulta — e também orienta quem está pensando em se especializar sobre qual caminho de formação seguir. As três subseções abaixo detalham cada modalidade separadamente.
Auriculoacupuntura — com agulhas
A auriculoacupuntura é a modalidade que usa agulhas finas de acupuntura, inseridas diretamente nos pontos da orelha durante uma sessão presencial, geralmente com duração limitada — a agulha é retirada ao final do atendimento, diferente das agulhas semipermanentes.
Essa modalidade costuma ser praticada por profissionais com formação específica em acupuntura, já que envolve perfuração da pele e exige conhecimento anatômico detalhado da região auricular para evitar lesões.
Auriculoterapia com sementes e esferas — sem perfuração
A modalidade com sementes e esferas é a mais acessível e a que menos exige formação prévia em saúde, justamente por não envolver perfuração da pele. É também a mais indicada para tratamentos contínuos, já que o material permanece fixado por alguns dias, mantendo o estímulo ativo entre sessões.
Por ser não invasiva, essa modalidade costuma ser a porta de entrada de quem quer aprender a técnica, servindo de base para depois avançar, se desejado, para modalidades com perfuração.
Eletroauriculoterapia
A eletroauriculoterapia utiliza um aparelho específico para aplicar uma corrente elétrica de baixa intensidade sobre o ponto reflexo, em vez de pressão mecânica ou perfuração. A ideia é intensificar o estímulo nervoso na região sem a necessidade de inserir uma agulha.
Essa modalidade é frequentemente usada em protocolos de manejo de dor mais intensa e exige equipamento específico, além de treinamento voltado para o uso correto do aparelho, incluindo o ajuste de intensidade conforme a tolerância de cada paciente.
Se você já sente que quer aprender a aplicar essas três modalidades com segurança — da escolha do material ao protocolo certo para cada queixa — o curso de auriculoterapia completo da Curso Plus foi construído exatamente para isso: da teoria do mapa até a prática supervisionada.
Para Que Serve a Auriculoterapia? Indicações e Aplicações
A auriculoterapia serve principalmente como apoio complementar no controle de dor, no manejo da ansiedade e do estresse, no suporte a processos de mudança de hábito e em algumas queixas específicas de bem-estar geral. Ela não é indicada como tratamento único para condições de saúde graves, mas ganha espaço justamente como reforço complementar em conjunto com o cuidado médico convencional.
Cada uma dessas indicações tem um protocolo diferente de pontos e de frequência de sessões, e vale destacar desde já que a intensidade da resposta varia bastante de pessoa para pessoa. As subseções a seguir detalham as principais aplicações práticas da técnica, da dor às compulsões.
Controle de dor crônica e aguda
O controle da dor é, historicamente, a aplicação mais estudada da auriculoterapia — foi justamente uma queixa de dor ciática que levou Paul Nogier a sistematizar a técnica. Hoje, ela é usada tanto em quadros agudos, como dor pós-operatória, quanto em condições crônicas, como enxaqueca, dor lombar e osteoartrite.
Na prática clínica, a auriculoterapia para dor costuma ser combinada com o tratamento médico principal, funcionando como uma camada adicional de manejo, especialmente útil para pacientes que buscam reduzir a dependência de analgésicos no dia a dia.
Ansiedade, estresse e insônia
Além da dor, a ansiedade, o estresse e a insônia formam o segundo grande grupo de indicações da auriculoterapia. O ponto Shen Men, um dos mais aplicados em protocolos voltados ao relaxamento, é praticamente sinônimo dessa aplicação específica da técnica.
Muitos pacientes buscam a auriculoterapia justamente em períodos de sobrecarga emocional, seja por rotina de trabalho intensa, seja por dificuldades pessoais — a técnica funciona, nesses casos, como um recurso de manejo do estresse que complementa outras estratégias de autocuidado.
Compulsões e dependências — tabagismo e compulsão alimentar
A auriculoterapia também é usada como suporte em processos de cessação do tabagismo e no manejo da compulsão alimentar, geralmente com protocolos específicos que combinam pontos como o do pulmão e o do estômago, junto com o Shen Men para lidar com a ansiedade associada à mudança de hábito.
É importante frisar que, nesses casos, a técnica funciona como reforço dentro de um plano mais amplo de mudança comportamental — não como solução isolada capaz de eliminar sozinha o hábito, um ponto que este guia retoma com mais profundidade nas seções sobre evidência científica.
Outras aplicações complementares
Além das indicações principais, a auriculoterapia aparece também como suporte complementar em enjoo, náuseas, algumas alergias respiratórias e situações de recuperação pós-cirúrgica, sempre em conjunto com o acompanhamento médico responsável pelo caso.
Cada uma dessas aplicações complementares costuma exigir um protocolo próprio de pontos, ajustado conforme a resposta individual do paciente — o que reforça, mais uma vez, por que a avaliação de um profissional formado faz diferença no resultado.
Quais São os Benefícios da Auriculoterapia?
Os benefícios da auriculoterapia se dividem em duas grandes frentes: efeitos físicos, ligados principalmente ao manejo da dor, e efeitos emocionais e mentais, ligados ao relaxamento e ao controle do estresse. Boa parte desses benefícios já aparece documentada em estudos científicos, ainda que com diferentes graus de força de evidência — tema que este guia detalha na próxima seção.
Vale reforçar, antes de listar os benefícios, que eles se manifestam de forma variável entre pessoas diferentes, e que a técnica funciona melhor quando integrada a um cuidado de saúde mais amplo, nunca isolada dele. As subseções a seguir organizam os principais ganhos relatados por pacientes e observados em pesquisa.
Benefícios físicos
No campo físico, o benefício mais consistente da auriculoterapia é o suporte no manejo da dor, especialmente dor pós-operatória, enxaqueca, dor lombar e dores osteoarticulares. Pacientes costumam relatar redução na intensidade da dor e, em alguns contextos clínicos, menor necessidade de medicação analgésica.
Outros benefícios físicos relatados incluem melhora na qualidade do sono e relaxamento muscular geral, frequentemente associados ao efeito indireto do relaxamento provocado pela sessão sobre a tensão acumulada no corpo.
Benefícios emocionais e mentais
No campo emocional, os benefícios da auriculoterapia mais citados envolvem redução da ansiedade, sensação de calma e melhora percebida no manejo do estresse do dia a dia. O estímulo do ponto Shen Men é, mais uma vez, o protagonista dessa aplicação.
Muitos pacientes relatam ainda uma sensação de bem-estar geral logo após a sessão, um efeito que pode estar ligado tanto ao próprio estímulo nervoso quanto ao ambiente de cuidado e pausa que a sessão proporciona em meio a uma rotina corrida.
Benefícios como terapia complementar — nunca substitutiva
O benefício mais importante da auriculoterapia, do ponto de vista de segurança, talvez seja justamente entender seu papel: ela funciona bem como terapia complementar, somando-se ao tratamento principal — nunca como substituta de acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico.
Essa posição de complemento é o que permite que a técnica seja incorporada com segurança dentro de planos de cuidado mais amplos, desde que o paciente mantenha o profissional responsável pelo tratamento principal informado sobre o uso da auriculoterapia em paralelo.
Auriculoterapia Funciona? O Que Diz a Ciência
A pergunta se a auriculoterapia funciona não tem uma resposta simples de sim ou não — a evidência científica disponível hoje mostra resultados promissores para algumas indicações, principalmente dor, e resultados mais limitados ou inconsistentes para outras, como a cessação do tabagismo. É importante examinar essa evidência com cuidado, sem exagerar nem descartar o que já foi estudado.
Esta seção prioriza precisão sobre qualquer tom promocional: o objetivo aqui é apresentar o que os estudos efetivamente mostram, reconhecer os limites metodológicos dessas pesquisas e desfazer um mito recorrente sobre a técnica. As três subseções seguintes tratam, respectivamente, da evidência disponível, dos limites dessa evidência e de um equívoco comum sobre diagnóstico.
O que os estudos científicos mostram até agora
Uma revisão sistemática com metanálise publicada no Journal of Alternative and Complementary Medicine, em 2010, analisou 17 ensaios clínicos randomizados sobre auriculoterapia para manejo da dor — incluindo dor perioperatória, aguda e crônica — e concluiu que a técnica foi superior aos grupos controle na redução da intensidade da dor, com resultados especialmente favoráveis para dor pós-operatória.
O NCCIH (Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos) também reconhece que a acupuntura auricular pode ajudar a reduzir a dor, particularmente em quadros de dor lombar crônica e dor relacionada ao câncer. Já para ansiedade, uma revisão sistemática com metanálise publicada no Journal of Clinical Anesthesia mostrou que a estimulação auricular foi superior ao placebo no controle da ansiedade pré-operatória, com resultados comparáveis aos de medicamentos ansiolíticos em alguns estudos incluídos.
Limites da evidência e o papel do efeito placebo
Apesar de resultados favoráveis em algumas áreas, a própria literatura científica reconhece limitações metodológicas importantes: muitos estudos têm amostras pequenas, protocolos pouco padronizados entre si e dificuldade em isolar o efeito específico da auriculoterapia do efeito placebo — o benefício que qualquer intervenção de cuidado, mesmo sem ação farmacológica direta, pode gerar apenas pela atenção dedicada ao paciente.
Um problema adicional, apontado por revisões sobre o tema, é a falta de consenso entre os diferentes mapas auriculares usados por escolas distintas — o que dificulta comparar resultados de estudos que usam localizações de pontos ligeiramente diferentes entre si. Para cessação do tabagismo, especificamente, uma revisão da Cochrane Library, de 2014, concluiu que não há evidência consistente de benefício sustentado da acupuntura e da acupressão para parar de fumar a longo prazo — um resultado bem mais cauteloso do que o observado nos estudos sobre dor.
Auriculoterapia diagnostica doenças? Desfazendo esse mito
Não. A auriculoterapia não diagnostica doenças, e esse é um dos mitos mais espalhados sobre a técnica. A sensibilidade ou dor detectada em um ponto específico da orelha durante a avaliação pode ter várias explicações possíveis — ela não é, isoladamente, prova científica de que existe uma doença instalada no órgão correspondente daquele ponto no mapa.
Qualquer terapeuta responsável trata essa sensibilidade como um dado a mais dentro da anamnese, nunca como substituto de exame clínico, exame de imagem ou avaliação laboratorial. Tratar a auriculoterapia como ferramenta de diagnóstico é um uso indevido da técnica, que foge do que a evidência disponível sustenta.
Auriculoterapia Emagrece Mesmo? O Que Diz a Ciência
A pergunta se a auriculoterapia emagrece mesmo é uma das mais buscadas sobre o tema, e a resposta honesta é: existe algum efeito mensurável em estudos, mas ele é pequeno e está longe de representar uma solução isolada para perda de peso relevante. Entender exatamente o tamanho desse efeito evita expectativas desproporcionais em relação ao que a técnica pode entregar sozinha.
Assim como na seção anterior, o objetivo aqui é honestidade científica, não venda de expectativa. As três subseções seguintes tratam de como a técnica é usada em protocolos de emagrecimento, o que as pesquisas mostram sobre isso e qual é a expectativa realista para quem considera experimentar.
Como a técnica é usada em protocolos de emagrecimento
Nos protocolos voltados a emagrecimento, a auriculoterapia costuma trabalhar pontos associados ao controle do apetite e da ansiedade alimentar, como o ponto do estômago e o Shen Men, combinados a orientações de reeducação alimentar e atividade física dadas pelo próprio terapeuta ou por profissionais parceiros.
A lógica por trás desse protocolo não é queimar gordura diretamente através do estímulo auricular, mas reduzir a compulsão e a ansiedade que muitas vezes levam a comer em excesso — um mecanismo indireto de apoio comportamental, não metabólico.
O que as pesquisas realmente mostram sobre perda de peso
Uma metanálise publicada na revista Frontiers in Neuroscience, em 2024, reunindo ensaios clínicos randomizados sobre estimulação auricular e parâmetros relacionados a peso e obesidade, encontrou uma redução média de apenas 0,38 ponto no índice de massa corporal, 0,66 kg de peso e 1,44 cm na circunferência abdominal, em comparação aos grupos controle.
O próprio estudo reconhece que essa redução média não chega a atingir uma perda de peso clinicamente significativa — geralmente definida como pelo menos 5% do peso corporal — nem um ponto completo de IMC. Outra observação relevante dessa e de outras revisões sobre o tema é que a auriculoterapia isolada não mostrou diferença significativa em relação a nenhum tratamento, exceto quando combinada com dieta e exercício físico.
Expectativa realista — adjuvante, não solução isolada
A expectativa realista, portanto, é tratar a auriculoterapia como um adjuvante dentro de um plano de emagrecimento — algo que pode ajudar a reduzir a ansiedade alimentar e reforçar a disciplina de um protocolo mais amplo, nunca como método isolado capaz de gerar perda de peso relevante sozinho.
Quem busca a técnica com a expectativa de “emagrecer sem esforço” tende a se frustrar com o resultado. Quem a busca como reforço dentro de uma mudança de hábito mais ampla — alimentação, atividade física e acompanhamento profissional — tende a ter uma experiência mais alinhada com o que a evidência científica atual realmente sustenta.

A Auriculoterapia É Segura? Contraindicações e Cuidados
A auriculoterapia é considerada, de forma geral, uma técnica segura quando aplicada por um profissional capacitado, com risco baixo de efeitos adversos graves — mas isso não significa que ela sirva para todo mundo, em qualquer situação. Existem contraindicações específicas e cuidados que precisam ser respeitados antes de iniciar qualquer protocolo.
Esta seção também prioriza precisão e segurança sobre qualquer tom de venda: o objetivo é que você saiba exatamente quando a técnica exige cautela redobrada ou avaliação médica prévia. As três subseções seguintes tratam de contraindicações, reações locais possíveis e o momento certo de buscar orientação médica.
Para quem é contraindicada — gestantes, marca-passo e outros casos
A auriculoterapia exige atenção redobrada, ou é contraindicada, em algumas situações específicas: gestantes precisam de avaliação cuidadosa, já que determinados pontos auriculares são tradicionalmente associados à estimulação uterina e evitados durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre.
Pessoas com marca-passo cardíaco devem evitar, especificamente, a modalidade de eletroauriculoterapia, já que a corrente elétrica pode interferir no funcionamento do dispositivo. Pacientes com quadros de epilepsia não controlada, distúrbios graves de coagulação ou infecções ativas na região da orelha também exigem avaliação individualizada antes de qualquer aplicação.
Possíveis reações locais e como identificá-las
As reações adversas mais comuns da auriculoterapia são locais e leves: vermelhidão temporária, pequeno desconforto no ponto de aplicação e, ocasionalmente, uma reação alérgica ao adesivo usado para fixar sementes ou esferas metálicas.
Reações mais sérias, como infecção no local da aplicação, são raras, mas tendem a acontecer quando a assepsia não é respeitada, especialmente em modalidades com perfuração, como agulhas semipermanentes. Vermelhidão persistente, inchaço, secreção ou dor que aumenta nos dias seguintes à sessão são sinais de alerta que merecem atenção imediata.
Quando procurar orientação médica antes de iniciar
Buscar orientação médica antes de iniciar a auriculoterapia é especialmente importante para gestantes, pessoas com marca-passo, pacientes com condições de saúde graves em tratamento ativo e qualquer pessoa que já tenha histórico de reações alérgicas a metais ou adesivos.
De forma mais ampla, qualquer pessoa em tratamento médico contínuo deveria informar o profissional responsável sobre a intenção de iniciar a auriculoterapia, garantindo que as duas abordagens caminhem juntas, sem risco de mascarar sintomas importantes ou de gerar interação inesperada com o tratamento principal.
Como É Feita Uma Sessão de Auriculoterapia?
Uma sessão de auriculoterapia segue, na maioria dos consultórios, uma estrutura de três etapas bem definidas: a anamnese inicial com identificação dos pontos a trabalhar, a escolha do material e a aplicação propriamente dita, e as orientações finais sobre cuidados pós-sessão. Conhecer essa estrutura ajuda você a saber o que esperar antes de agendar seu primeiro atendimento.
Essa sequência de passos também serve de referência para quem estuda a técnica e precisa organizar o próprio atendimento de forma consistente. As três subseções abaixo detalham cada etapa da sessão, na ordem em que costumam acontecer.
Passo 1 — Anamnese e identificação dos pontos
A sessão sempre começa com uma anamnese: o terapeuta pergunta sobre a queixa principal, histórico de saúde, uso de medicamentos e possíveis contraindicações, como gravidez ou uso de marca-passo. Esse levantamento é o que orienta toda a escolha de pontos que vem a seguir.
Com base nas informações coletadas, o terapeuta consulta o mapa auricular e seleciona os pontos mais relevantes para a queixa apresentada, muitas vezes testando a sensibilidade de cada ponto candidato antes de decidir quais efetivamente serão estimulados naquela sessão.
Passo 2 — Escolha do material e aplicação
Depois de definidos os pontos, o terapeuta escolhe o material mais adequado — sementes, esferas ou agulhas — considerando o objetivo do tratamento, a sensibilidade da pele do paciente e, quando aplicável, a preferência entre uma modalidade invasiva e uma não invasiva.
A aplicação em si costuma ser rápida e indolor, ou associada a um leve desconforto momentâneo, dependendo do material escolhido. O terapeuta higieniza a região antes de fixar o material sobre cada ponto selecionado, seguindo rigorosamente os protocolos de assepsia.
Passo 3 — Orientações pós-sessão e retorno
Ao final da sessão, o terapeuta orienta o paciente sobre cuidados com o material fixado — evitar molhar excessivamente a região, não remover antes do prazo recomendado e pressionar levemente os pontos ao longo do dia, quando indicado, para reforçar o estímulo.
Também é nesse momento que o terapeuta costuma agendar o retorno, considerando o tempo de permanência do material aplicado (geralmente entre 3 e 7 dias para sementes e esferas) e a resposta relatada pelo paciente até aquele momento.
Quantas Sessões de Auriculoterapia São Necessárias?
O número de sessões de auriculoterapia necessárias varia conforme o tipo de queixa, a intensidade do sintoma e a resposta individual de cada paciente — não existe um número fixo válido para todo mundo. Queixas agudas costumam responder mais rápido do que condições crônicas, que exigem acompanhamento mais prolongado.
Mesmo sem um número universal, existem referências práticas usadas por terapeutas para orientar as expectativas do paciente logo na primeira sessão. As três subseções seguintes tratam da frequência recomendada, dos sinais de que o tratamento está funcionando e dos critérios para ajustar a estratégia.
Frequência recomendada por tipo de queixa
Para queixas relacionadas a estresse pontual ou ansiedade leve, muitos terapeutas sugerem um ciclo inicial de 4 a 6 sessões semanais, reavaliando a resposta ao final desse período. Já para dor crônica ou processos de mudança de hábito, como tabagismo, o ciclo costuma ser mais longo, com sessões semanais ao longo de 2 a 3 meses.
Protocolos voltados a compulsão alimentar ou apoio a emagrecimento também tendem a seguir ciclos mais longos, já que o objetivo ali é sustentar uma mudança comportamental ao longo do tempo, não apenas gerar um alívio pontual de sintoma.
Sinais de que o tratamento está funcionando
Os sinais mais comuns de que a auriculoterapia está funcionando incluem redução gradual da intensidade da queixa principal, melhora na qualidade do sono, sensação de mais calma no dia a dia e, em protocolos de dor, menor necessidade de medicação analgésica de resgate.
É importante ter paciência com a progressão: mudanças bruscas logo na primeira sessão são menos comuns do que uma melhora gradual percebida ao longo de algumas semanas de acompanhamento consistente.
Critérios para pausar ou trocar de estratégia
Se depois de um ciclo inicial de sessões — geralmente entre 4 e 8 atendimentos — não houver nenhuma melhora perceptível na queixa principal, é hora de reavaliar a estratégia com o terapeuta, considerando trocar os pontos trabalhados, mudar o material aplicado ou até reconsiderar se a auriculoterapia é a abordagem mais adequada para aquele caso específico.
Vale reforçar que a ausência de resposta à auriculoterapia não significa, necessariamente, ausência de solução para o problema — pode simplesmente indicar que aquela queixa responde melhor a outra abordagem terapêutica ou médica, e é papel do terapeuta responsável reconhecer esse limite.
Quem Pode Fazer Auriculoterapia — Como Paciente e Como Profissional?
A auriculoterapia pode ser feita, como paciente, pela maioria das pessoas adultas, respeitadas as contraindicações já discutidas neste guia — e, como profissional, por quem completa uma formação estruturada em terapias holísticas ou saúde integrativa. As exigências mudam bastante dependendo do lado da mesa em que você está.
Compreender essas duas perspectivas ajuda tanto quem quer apenas experimentar a técnica quanto quem está considerando se especializar e transformar esse conhecimento em uma nova fonte de renda. As três subseções seguintes tratam do que avaliar antes de ser paciente, da formação necessária para atuar como profissional e do mercado de trabalho disponível para quem se especializa.
Como paciente — o que avaliar antes de iniciar o tratamento
Antes de iniciar o tratamento como paciente, vale avaliar se você se encaixa em alguma das contraindicações discutidas anteriormente — gravidez, uso de marca-passo, condições de saúde graves em tratamento ativo — e conversar abertamente sobre isso na anamnese inicial com o terapeuta escolhido.
Também vale pesquisar a formação do profissional antes de agendar a primeira sessão: perguntar onde ele estudou, há quanto tempo atua e se tem registro em alguma associação de classe são perguntas simples que ajudam a garantir que você está em mãos qualificadas.
Como profissional — formação necessária
Para atuar como profissional de auriculoterapia, o caminho mais comum no Brasil é concluir um curso de formação em terapias holísticas ou integrativas com módulo específico dedicado à técnica, cobrindo teoria do mapa auricular, materiais de aplicação, protocolos por queixa e prática supervisionada.
Diferente da acupuntura tradicional com agulhas — que costuma exigir formação em saúde mais especialização reconhecida —, a auriculoterapia com sementes e esferas, por não ser invasiva, é ensinada com mais frequência a partir de cursos livres de terapias complementares, sem pré-requisito de formação prévia em saúde.
Mercado de trabalho para quem se especializa
O mercado de trabalho para quem se especializa em auriculoterapia vem crescendo junto com o interesse crescente por terapias integrativas no Brasil, especialmente depois da inclusão da técnica na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS, o que ampliou a visibilidade da prática também na rede pública de saúde.
Quem se forma na técnica pode atuar em consultório próprio, em parceria com clínicas de estética e bem-estar, em espaços de terapia integrativa e até em programas corporativos de qualidade de vida, cada vez mais interessados em oferecer alternativas de manejo de estresse para colaboradores. Para quem quer se qualificar de verdade nesse mercado, o curso de auriculoterapia completo da Curso Plus cobre desde o mapa de pontos até os protocolos práticos por queixa, com o cuidado didático que você já viu ao longo deste guia.
Auriculoterapia Dentro da Terapia Holística: Como Ela Se Conecta a Outras Práticas
A auriculoterapia raramente é praticada de forma completamente isolada dentro do universo das terapias holísticas — ela costuma dialogar com outras técnicas complementares, seja reforçando o efeito de relaxamento, seja compondo protocolos de atendimento mais completos. Entender essas conexões ajuda tanto o paciente a montar um plano de cuidado mais coerente quanto o profissional a ampliar seu leque de atuação.
Essa integração faz parte de uma lógica maior de formação em terapia holística, na qual diferentes técnicas se complementam dentro de um mesmo raciocínio de cuidado integral da pessoa. As três subseções seguintes tratam da conexão da auriculoterapia com o reiki, com a aromaterapia e com a formação mais ampla em terapia holística.
Auriculoterapia e reiki — combinações possíveis
A auriculoterapia e o reiki costumam ser combinados por terapeutas que atendem o mesmo paciente em sessões diferentes, ou até dentro do mesmo atendimento: enquanto os pontos auriculares permanecem estimulados por sementes ou esferas, o terapeuta pode aplicar a imposição de mãos do reiki para reforçar o relaxamento geral da sessão.
Essa combinação costuma ser bem recebida por pacientes que buscam manejo de ansiedade e estresse, já que as duas técnicas compartilham esse objetivo, ainda que partam de lógicas teóricas diferentes — uma energética, outra somatotópica.
Auriculoterapia e aromaterapia — uso complementar
A aromaterapia também aparece com frequência como complemento da auriculoterapia, geralmente através da difusão de óleos essenciais no ambiente durante a sessão, reforçando a sensação de relaxamento enquanto os pontos auriculares permanecem estimulados.
Óleos com propriedades calmantes, como lavanda, são um exemplo comum dessa combinação em protocolos voltados a ansiedade e insônia, embora cada terapeuta ajuste essa escolha conforme a preferência e a sensibilidade olfativa do paciente atendido.
Auriculoterapia como módulo da formação em terapia holística
Dentro de uma visão mais ampla, a auriculoterapia é uma entre várias práticas que compõem o que se entende hoje por terapia holística — uma abordagem de cuidado que integra corpo, mente e emoções através de diferentes técnicas complementares, sempre em conjunto com a saúde convencional.
Por isso, quem busca uma formação mais completa, e não apenas uma técnica isolada, encontra na auriculoterapia um dos módulos do curso de terapia holística da Curso Plus — o Módulo 16 do currículo —, ao lado de práticas como reiki, astrologia, aromaterapia e tarot, formando uma base ampla para quem quer atuar com múltiplas ferramentas terapêuticas.
Ferramentas de Auriculoterapia
Além do conhecimento teórico, algumas ferramentas práticas facilitam tanto o aprendizado quanto a aplicação da auriculoterapia no dia a dia, seja você paciente iniciante, seja terapeuta em formação. A lista abaixo reúne os recursos mais relevantes, do curso completo aos materiais básicos de aplicação.
| Ferramenta | Tipo / Custo | Para que serve |
|---|---|---|
| Curso de Auriculoterapia Curso Plus | Curso completo / pago | Formação estruturada do mapa de pontos à prática clínica supervisionada |
| Kit de sementes de vaccaria | Material físico / baixo custo | Aplicação não invasiva dos pontos, ideal para reforço entre sessões |
| Esferas metálicas (aço inoxidável) | Material físico / baixo custo | Alternativa às sementes, com pressão contínua sobre o ponto |
| App ou mapa de referência de pontos auriculares | Aplicativo ou material impresso / gratuito ou pago | Consulta rápida à localização dos pontos durante o estudo ou atendimento |
| Pinça de aplicação | Material físico / baixo custo | Facilita o posicionamento preciso de sementes e esferas nos pontos |
Vale um alerta importante sobre essas ferramentas: o kit de sementes, as esferas e o mapa de referência são recursos de apoio — eles não substituem a formação teórica e prática que ensina onde e como aplicar cada material com segurança. O verdadeiro diferencial está no conhecimento por trás da ferramenta, não na ferramenta isolada, o que reforça por que a formação estruturada continua sendo o ponto de partida mais sólido para quem quer praticar com responsabilidade.
Tendências da Auriculoterapia em 2026
A auriculoterapia vem ganhando espaço institucional consistente no Brasil, sustentada por sua presença dentro da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS, que já reconhece a técnica como parte do cuidado integrativo oferecido pela rede pública em diversos municípios, com nomenclatura de procedimento própria desde 2017.
Duas tendências se destacam com clareza para os próximos anos. A primeira é o avanço da técnica dentro de ambientes corporativos, como parte de programas de qualidade de vida voltados à redução do estresse de equipes — um movimento impulsionado pela crescente atenção das empresas à saúde mental dos colaboradores. A segunda é a consolidação da auriculoterapia como módulo dentro de formações mais amplas em terapia holística, em vez de curso isolado, refletindo uma demanda por profissionais capazes de combinar múltiplas técnicas complementares no mesmo atendimento.
Essas duas tendências caminham na mesma direção: mais visibilidade institucional e mais integração com outras práticas de cuidado, tanto no setor público quanto no privado. Para quem está pensando em se especializar agora, esse movimento sugere que dominar a auriculoterapia dentro de uma formação mais ampla — e não apenas como técnica isolada — tende a abrir mais portas no mercado nos próximos anos.
Afinal, o Que É Auriculoterapia e Vale a Pena Experimentar?
Recapitulando o que é auriculoterapia: é uma técnica que estimula pontos reflexos da orelha — com sementes, esferas ou agulhas — para atuar sobre dor, ansiedade, insônia e apoio a mudanças de hábito, unindo a base filosófica da Medicina Tradicional Chinesa à sistematização científica que Paul Nogier desenvolveu na França, na década de 1950. Ao longo deste guia, você viu como ela funciona no organismo, o mapa dos principais pontos, os materiais e modalidades disponíveis, e o que a ciência já confirma — e o que ainda precisa de mais pesquisa.
Vale a pena experimentar? Para quem busca um recurso complementar de manejo de dor, ansiedade e estresse, sim — desde que a expectativa seja realista e o acompanhamento aconteça com um profissional qualificado, sem abandonar o tratamento médico principal quando ele existir. A técnica não promete milagre, mas entrega, com respaldo de estudos, um suporte real para várias das queixas mais comuns do dia a dia.
Se depois de toda essa leitura você sente que quer ir além de experimentar como paciente — e considera se tornar a pessoa que aplica essa técnica em outras vidas —, o curso de auriculoterapia completo da Curso Plus é o próximo passo natural. Ele leva você do mapa de pontos à prática clínica supervisionada, com o mesmo cuidado didático que orientou cada seção deste guia.

Perguntas Frequentes Sobre o Que É Auriculoterapia
Depois de um guia tão completo sobre o que é auriculoterapia, ainda sobram dúvidas pontuais e diretas — e é para isso que reunimos abaixo as perguntas mais frequentes sobre o tema, com respostas objetivas para você seguir em frente com segurança.
Auriculoterapia dói?
Na maioria dos casos, não dói. Sementes e esferas causam apenas uma leve pressão. Agulhas semipermanentes podem gerar um desconforto rápido na inserção, mas costuma ser mínimo e bem tolerado pela maioria dos pacientes.
Quanto tempo demora para sentir o efeito da auriculoterapia?
Varia por pessoa e queixa. Alguns relatam relaxamento já na primeira sessão; para dor crônica ou mudança de hábito, o efeito costuma aparecer de forma gradual ao longo de várias semanas de acompanhamento.
Posso fazer auriculoterapia sozinho, sem profissional habilitado?
Não é recomendado. A escolha correta dos pontos exige avaliação e conhecimento do mapa auricular. Aplicação sem orientação pode simplesmente não funcionar ou mascarar sintomas que precisam de atenção médica.
Existe contraindicação de auriculoterapia na gravidez?
Sim. Alguns pontos auriculares são tradicionalmente associados à estimulação uterina e evitados na gravidez, especialmente no primeiro trimestre. Gestantes devem sempre informar isso ao terapeuta antes da sessão.
Qual a diferença entre auriculoterapia e acupuntura auricular, resumidamente?
Acupuntura auricular geralmente usa só agulhas, dentro da tradição chinesa. Auriculoterapia é termo mais amplo, que inclui sementes, esferas e eletroestimulação, unindo a MTC à sistematização de Paul Nogier.
Auriculoterapia é reconhecida oficialmente como prática de saúde no Brasil?
Sim. Ela integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS, com nomenclatura de procedimento própria desde 2017, estando disponível em unidades de saúde pública de diversos municípios.
Auriculoterapia substitui tratamento médico convencional?
Não. É uma terapia complementar, não substitutiva. Deve ser usada em conjunto com o acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico já em curso, sempre com conhecimento do profissional responsável pelo caso.
Quanto custa uma sessão de auriculoterapia?
O valor varia por região e experiência do terapeuta, geralmente entre R$80 e R$200 por sessão no Brasil. Quem quer virar profissional da área pode conhecer o curso de auriculoterapia completo da Curso Plus.